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08 março, 2013

Apreensão no campo tocantinense: atrocidades da família Abreu




Neste 8 de Março de 2013 as mulheres camponesas organizadas na VIA CAMPESINA dos estados do Maranhão, Pará e Tocantins ocuparam a fazenda da senadora Kátia Abreu (PSD) no municipio de Aliança do Tocantins, como ações estratégicas da luta pela reforma agrária na Amazônia e da luta contra as atividades do agronegócio na região. Tendo em vista que a referida senadora é a representante mor do capitalimo selvagem na agricultura brasileira, essa ação foi mais que necessária para instituir um processo de visibilidade e tomada de posição deante das politicas do estado que estão na contra mão das verdadeiras realidades do campo brasileiro. O texto de DOM TOMÁS BALDUINO* nos explicita quem é essa mulher .
Eis o quadro: o pequeno agricultor Juarez Vieira foi despejado de sua terra, em 2002, no município tocantinense de Campos Lindos, por 15 policiais em manutenção de posse acionada por Kátia Abreu. Juarez desfilou, sob a mira dos militares, com sua mulher e seus dez filhos, em direção à periferia de alguma cidade.O caso acima não é isolado. O governador Siqueira Campos decretou de “utilidade pública”, em 1996, uma área de 105 mil hectares em Campos Lindos. Logo em 1999, uns fazendeiros foram aí contemplados com áreas de 1,2 mil hectares, por R$ 8 o hectare. A lista dos felizardos fora preparada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, presidida por Kátia Abreu (PSD-TO), então deputada federal pelo ex-PFL.O irmão dela Luiz Alfredo Abreu conseguiu uma área do mesmo tamanho. Emiliano Botelho, presidente da Companhia de Promoção Agrícola, ficou com 1,7 mil hectares. Juarez não foi o único injustiçado. Do outro lado da cerca, ficaram várias famílias expulsas das terras por elas ocupadas e trabalhadas havia 40 anos. Uma descarada grilagem! Campos Lindos, antes realmente lindos, viraram uma triste monocultura de soja, com total destruição do cerrado para o enriquecimento de uma pequena minoria. No Mapa da Pobreza e Desigualdade divulgado em 2007, o município apareceu como o mais pobre do país. Segundo o IBGE, 84% da população viviam na pobreza, dos quais 62,4% em estado de indigência. Outro irmão da senadora Kátia Abreu, André Luiz Abreu, teve sua empresa envolvida na exploração de trabalho escravo. A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins libertou, em áreas de eucaliptais e carvoarias de propriedade dele, 56 pessoas vivendo em condições degradantes, no trabalho exaustivo e na servidão por dívida. Com os povos indígenas do Brasil, Kátia Abreu, senadora pelo Estado do Tocantins e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), tem tido uma raivosa e nefasta atuação. Com efeito, ela vem agindo junto ao governo federal para garantir que as condicionantes impostas pelo Supremo no julgamento da demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol sejam estendidas, de qualquer forma, aos demais procedimentos demarcatórios. Com a bancada ruralista, ela pressionou a Advocacia-Geral da União (AGU), especialmente o ministro Luís Inácio Adams. Prova disso foi a audiência na AGU, em novembro de 2011, na qual entregou, ao lado do senador Waldemir Moka (PMDB-MS), documento propondo a criação de norma sobre a demarcação de terras indígenas em todo o país. O ministro Luís Adams se deixou levar e assinou a desastrosa portaria nº 303, de 16/7/12. Kátia Abreu, ao tomar conhecimento desse ato, desabafou exultante: “Com a nova portaria, o ministro Luís Adams mostrou sensibilidade e elevou o campo brasileiro a um novo patamar de segurança jurídica”. Até mesmo com relação à terra de posse imemorial do povo xavante de Marãiwatsèdè, ao norte do Mato Grosso, que ganhou em todas as instâncias do Judiciário o reconhecimento de que são terras indígenas, Kátia Abreu assinou nota, como presidente da CNA, xingando os índios de “invasores”. Concluindo, as lideranças camponesas e indígenas estão muito apreensivas com o estranho poder econômico, político, classista, concentracionista e cruel detido por essa mulher que, segundo dizem, está para ser ministra de Dilma Rousseff. E se perguntam: “Não é isso o Poder do Mal?” No Evangelho, Jesus ensinou aos discípulos a enfrentar o Poder do Mal, recomendando-lhes: “Esta espécie de Poder só se enfrenta pela oração e pelo jejum” (Cf. Mt 17,21).”*PAULO BALDUINO DE SOUSA DÉCIO, o Dom Tomás Balduino, 90, Mestre em Teologia, é Bispo Emérito da Cidade de Goiás e Conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra
Comentários: Núcleo de Estudos Urbanos Regionais e Agrários da UFT apoiamos a lutas das companheiras Sem Terra e queremos urgentemente fazer nossa as palavras de Dom Tomás Balduino  sobre a atuação e o discurso dessa paladina do capitalismo agrícola a sra. Kátia Abreu e colocarmos vigília embandeiradas, e uma grande pedra nos seus próximos caminhos eleitorais no estado. O povo tocantinense,os trabalhadores do tocantins especialmente os camponeses devem denunciar nos quatros cantos do estados suas nefastas ações politicas contra o povo brasileiro. ( LIRA 2013 )  

06 fevereiro, 2013






NOTA DE PESAR

Os movimento Sociais do Campo do Estado do Tocantins estão em luto pela a tragédia inaceitável ocorrida no acampamento Sebastião Bezerra, situado às margens da rodovia TO-050, no município de Porto Nacional-TO, próximo ao córrego chupé, que ceifou a vida do companheiro Benedito de Sousa Lima, um camponês que lutava incansavelmente com objetivo de conquistar um pedaço de terra e ao mesmo tempo fugir da estressante correria da cidade, o mesmo deixa a esposa, quatro filhos e netos. 
Como movimento social, queremos levar um abraço solidário a todos familiares e amigos. Se é que possamos fazer alguma coisa para aliviar vossas dores. E que esta tragédia, sirva pelo menos para que o governo tomem medidas para assenta as famílias acampadas no estado do Tocantins.
Profundamente consternados. 
Secretaria Estadual do Movimento dos trabalhadores rurais sem terra-MST 
Tocantins, 04 de fevereiro de 2013.

APOIO INSTITUCIONAL
O Núcleo de Estudos Urbanos Regionais e Agrários-NURBA/UFT em nome do seu coordenador o Prof. Dr. Elizeu Ribeiro Lira, apoia esta triste nota de pesar pela morte trágica do camponês Benedito de Sousa Lima do acampamento de sem terra Sebastião Bezerra, situado às margens da rodovia TO-050, no município de Porto Nacional-TO. Benedito de Sousa Lima era um velho camponês que foi expulso do campo, ainda jovem, pelo latifúndio grileiros e pistoleiros uma tríade que sempre espalhou a violência contra os camponeses nos sertões da Amazônia legal, e agora numa luta incansável ele se preparava para retornar a terra, já cansado da vida louca da cidade, da vida injusta da periferia de Palmas, procurava conquistar um pedaço de terra para; viver em paz com sua família para reconstruir sua vida camponesa e seu amor pela terra;para poder de forma sertaneja adorar seus santos fazer suas festas e comemorar a fartura da produção comunitária  Porém numa manhã chuvosa do mês de fevereiro um motorista louco no estado leviatã de direção perigosa, tirou a vida de um ser humano e de certa forma manchou de sangue inocente a bandeira do MST hasteada bem alta na margem da TO-050. A amazônia esta de luto pela morte de mais um camponês brasileiro. (LIRA,Fev.2013)

30 janeiro, 2013




APREENSÃO NO CAMPO

DOM TOMÁS BALDUINO*
23/01/13
Eis o quadro: o pequeno agricultor Juarez Vieira foi despejado de sua terra, em 2002, no município tocantinense de Campos Lindos, por 15 policiais em manutenção de posse acionada por Kátia Abreu. Juarez desfilou, sob a mira dos militares, com sua mulher e seus dez filhos, em direção à periferia de alguma cidade.O caso acima não é isolado. O governador Siqueira Campos decretou de “utilidade pública”, em 1996, uma área de 105 mil hectares em Campos Lindos. Logo em 1999, uns fazendeiros foram aí contemplados com áreas de 1,2 mil hectares, por R$ 8 o hectare. A lista dos felizardos fora preparada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins, presidida por Kátia Abreu (PSD-TO), então deputada federal pelo ex-PFL.O irmão dela Luiz Alfredo Abreu conseguiu uma área do mesmo tamanho. Emiliano Botelho, presidente da Companhia de Promoção Agrícola, ficou com 1,7 mil hectares. Juarez não foi o único injustiçado. Do outro lado da cerca, ficaram várias famílias expulsas das terras por elas ocupadas e trabalhadas havia 40 anos. Uma descarada grilagem! Campos Lindos, antes realmente lindos, viraram uma triste monocultura de soja, com total destruição do cerrado para o enriquecimento de uma pequena minoria. No Mapa da Pobreza e Desigualdade divulgado em 2007, o município apareceu como o mais pobre do país. Segundo o IBGE, 84% da população viviam na pobreza, dos quais 62,4% em estado de indigência. Outro irmão da senadora Kátia Abreu, André Luiz Abreu, teve sua empresa envolvida na exploração de trabalho escravo. A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins libertou, em áreas de eucaliptais e carvoarias de propriedade dele, 56 pessoas vivendo em condições degradantes, no trabalho exaustivo e na servidão por dívida. Com os povos indígenas do Brasil, Kátia Abreu, senadora pelo Estado do Tocantins e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), tem tido uma raivosa e nefasta atuação. Com efeito, ela vem agindo junto ao governo federal para garantir que as condicionantes impostas pelo Supremo no julgamento da demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol sejam estendidas, de qualquer forma, aos demais procedimentos demarcatórios. Com a bancada ruralista, ela pressionou a Advocacia-Geral da União (AGU), especialmente o ministro Luís Inácio Adams. Prova disso foi a audiência na AGU, em novembro de 2011, na qual entregou, ao lado do senador Waldemir Moka (PMDB-MS), documento propondo a criação de norma sobre a demarcação de terras indígenas em todo o país. O ministro Luís Adams se deixou levar e assinou a desastrosa portaria nº 303, de 16/7/12. Kátia Abreu, ao tomar conhecimento desse ato, desabafou exultante: “Com a nova portaria, o ministro Luís Adams mostrou sensibilidade e elevou o campo brasileiro a um novo patamar de segurança jurídica”. Até mesmo com relação à terra de posse imemorial do povo xavante de Marãiwatsèdè, ao norte do Mato Grosso, que ganhou em todas as instâncias do Judiciário o reconhecimento de que são terras indígenas, Kátia Abreu assinou nota, como presidente da CNA, xingando os índios de “invasores”. Concluindo, as lideranças camponesas e indígenas estão muito apreensivas com o estranho poder econômico, político, classista, concentracionista e cruel detido por essa mulher que, segundo dizem, está para ser ministra de Dilma Rousseff. E se perguntam: “Não é isso o Poder do Mal?” No Evangelho, Jesus ensinou aos discípulos a enfrentar o Poder do Mal, recomendando-lhes: “Esta espécie de Poder só se enfrenta pela oração e pelo jejum” (Cf. Mt 17,21).
*PAULO BALDUINO DE SOUSA DÉCIO, o Dom Tomás Balduino, 90, Mestre em Teologia, é Bispo Emérito da Cidade de Goiás e Conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra

Comentários: 
Nós da Geografia Agrária no Tocantins, Precisamos urgentemente fazer nossa as palavras de Dom Tomás Balduino  sobre a atuação e o discurso dessa paladina do capitalismo agrícola a sra. Kátia Abreu e colocarmos vigília embandeiradas, e uma grande pedra nos seus próximos caminhos eleitorais no estado. O povo tocantinense,os trabalhadores do tocantins especialmente os da educação devem denunciar nos quatros cantos do estados suas nefastas ações politicas contra o povo brasileiro. ( LIRA 2013 )  

10 janeiro, 2013

                                              
                                                        MÚSICA E REVOLUÇÃO





"Quem imaginou que essas coisas não se juntam, observe com atenção essa imagem, onde um dos maires ícone das revoluções socialistas no mundo está ao lado de um outro ícone da música mundial " (lira 2013)

21 dezembro, 2012

Tradição e modernidade


TRABALHO DE UMA ALUNA DO CURSO DE GEOGRAFIA DO CAMPUS DE PORTO NACIONAL/UFT APONTA PARA OS PROBLEMAS URBANOS DA CIDADE

                                                                                                          
                                                                                      

TRADIÇÃO E MODERNIDADE: A Avenida Beira Rio e a Desconstrução de Identidades Espaciais e Geográficas a partir da Destruição de Ambientes Tradicionais e Culturais em Porto Nacional – TO.

Luana Gonçalves Martins 1
Prof. Dr. Elizeu Ribeiro Lira 2



RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo analisar as principais alterações socioculturais ocorridas no centro histórico de Porto Nacional com a construção da Usina Hidrelétrica de Lajeado. Para tanto a metodologia utilizada foi uma revisão bibliográfica e uma pesquisa de campo através de entrevistas e narrattivas de moradores antigos. Percebemos que, a tradição perdeu lugar para a modernidade com a desconstrução do espaço geográfico a partir da destruição de ambientes tradicionais e culturais ocasionados pelo reservatório da UHE, ressalta-se no trabalho uma análise da apropriação do espaço pela cultura globalizada hegemônica e suas repercussões para o cotidiano, partindo da realidade dos espaços tradicionais da cidade. O momento espaço-temporal da modernidade tem repercutido sobre o que considera-se cultura local/regional, o que vem implicar na organização espacial, já que esta é imbricada no cotidiano da sociedade. Assim, a pesquisa apresentou espaço da tradição o antigo restaurante “Tia Júlia” e como espaço da “modernidade” o restaurante Maresias – um novo prédio, propriedade dos filhos de Tia Júlia, construído com a indenização compensatória referente a destruição do velho restaurante,representando a caracterização de uma “modernidade” imposta.

Palavras-chave: Espaço geográfico, Tradição, Modernidade, Cultura.

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1 Discente do Curso de Geografia no Campus de Porto Nacional da Universidade Federal do Tocantins – UFT.
luanagm1982@hotmail.com
2 Professor do Curso de Geografia no Campus de Porto Nacional da Universidade Federal do Tocantins - UFT.





17 dezembro, 2012





KATIA ABREU, UMA “ ANTROPÓLOGA” ÀS AVESSA NO CERRADO BRASILEIRO: UM POPULISMO SEM LÓGICA E SEM RAZÃO DIANTE DE ARGUMENTOS CIENTÍFICOS SOBRE OS ÍNDIOS BRASILEIROS.
KÁTIA, A ANTROPÓLOGA, CRIADORA DA ABREUGRAFIA” Texto do Professor da UERJ José Ribamar Bessa Freire (25/11/2012 - Diário do Amazonas)
Nelson Rodrigues só se deslumbrou com "a psicóloga da PUC" porque não conheceu "a antropóloga da Folha". Mas ela existe. É a Kátia Abreu. É ela quem diz aos leitores da Folha de São Paulo, com muita autoridade, quem é índio no Brasil. É ela quem religiosamente, todos os sábados, em sua coluna, nos explica como vivem os "nossos aborígenes". É ela quem nos ensina sobre a organização social, a distribuição espacial e o modo de viver deles. Podeis obtemperar que o caderno Mercado, onde a coluna é publicada, não é lugar adequado para esse tipo de reflexão e eu vos respondo que não é pecado se aproveitar das brechas da mídia. Mesmo dentro do mercado, a autora conseguiu discorrer sobre a temática indígena, não se intimidou nem sequer diante de algo tão complexo como a estrutura de parentesco e teorizou sobre "aborigenidade", ou seja, a identidade dos "silvícolas" que constitui o foco central de sua  - digamos assim - linha de pesquisa. A maior contribuição da antropóloga da Folha talvez tenha sido justamente a recuperação que fez de categorias como "sílvicola" e "aborígene", muito usadas no período colonial, mas lamentavelmente já esquecidas por seus colegas de ofício. Desencavá-las foi um trabalho de arqueologia num sambaqui conceitual, que demonstrou, afinal, que um conceito nunca morre, permanece como a bela adormecida à espera de alguém que o desperte com um beijo. Não precisa nem reciclá-lo. Foi o que Kátia Abreu fez.Com tal ferramenta inovadora, ela estabeleceu as linhas de uma nova política indigenista, depois de fulminar e demolir aquilo que chama de "antropologia imóvel" que seria praticada pela Funai. Sua abordagem vai além do estudo sobre a relação observador-observado na pesquisa antropológica, não se limitando a ver como índios observam antropólogos, mas como quem está de fora observa os antropólogos sendo observados pelos índios. Não sei se me faço entender. Mas em inglês seria algo assim como Observing Observers Observed.
Os argonautas do Gurupi
Todo esse esforço de abstração desaguou na criação de um modelo teórico, a partir do qual Kátia Abreu sistematizou um ousado método etnográfico conhecido como abreugrafia que, nos anos 1940, não passava de um prosaico exame de raios X do tórax, uma técnica de tirar chapa radiográfica do pulmão para diagnosticar a tuberculose, mas que foi ressignificado. Hoje, abreugrafia é a descrição etnográfica feita com o método inventado por Kátia Abreu, no caso uma espécie de raio X das sociedades indígenas. Esse método de coleta e registro de dados foi empregado na elaboração dos três últimos artigos assinados pela antropóloga da Folha: Uma antropologia imóvel (17/11), A Tragédia da Funai (03/11/) e Até abuso tem limite (27/10) que bem mereciam ser editados, com outros, num livro intitulado "Os argonautas do Gurupi". São textos imperdíveis, que deviam ser leitura obrigatória de todo estudante que se inicia nos mistérios da antropologia. A etnografia refinada e apurada que daí resulta quebrou paradigmas e provocou uma ruptura epistemológica ao ponto de não-retorno. A antropóloga da Folha aplicou aqui seu método revolucionário - a abreugrafia - que substituiu o tradicional trabalho de campo, tornando caducas as contribuições de Boas e Malinowski. Até então, para estudar as microssociedades não ocidentais, o antropólogo ia conviver lá, com os nativos, tinha de "viver na lama também, comendo a mesma comida, bebendo a mesma bebida, respirando o mesmo ar" da sociedade estudada, numa convivência prolongada e profunda com ela, como em  'Lama', interpretada por Núbia Lafayette ou Maria Bethania.A abreugrafia acabou com essas presepadas. Nada de cantoria. Nada de anthropological blues. Agora, o antropólogo já não precisa se deslocar para sítios longínquos, nem viver um ano a quatro mil metros de altura, numa pequena comunidade nos Andes, comendo carne de lhama, ou se internar nas selvas amazônicas entre os huitoto, como fez um casal de amigos meus. E tem ainda uma vantagem adicional: com a abreugrafia, os antropólogos nunca mais serão observados pelos índios.Em que consiste, afinal, esse método que dispensa o trabalho de campo? É simples. Para conhecer os índios, basta tão somente pagar entrevistadores terceirizados. Foi o que fez a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que, por acaso, é presidida por Kátia Abreu. A CNA encomendou pesquisa ao Datafolha que, por acaso, pertence à empresa dona do jornal onde, por acaso, escreve Kátia. Está tudo em casa. Por acaso.
Terra à vista
Os pesquisadores contratados, sempre viajando em duplas - um homem e uma mulher - realizaram 1.222 entrevistas em 32 aldeias com cem habitantes ou mais, em todas as regiões do país. Os resultados mostram que 63% dos índios têm televisão, 37% tem aparelho de DVD, 51% geladeira, 66% fogão a gás e 36% telefone celular. "A margem de erro" - rejubila-se o Datafolha - "é de três pontos percentuais para mais ou para menos". "Eu não disse! Bem que eu dizia" - repetiu Kátia Abreu no seu último artigo, no qual gritou "terra à vista", com o tom de quem acaba de descobrir o Brasil. O acesso dos índios aos eletrodomésticos foi exibido por ela como a prova de que os "silvícolas" já estão integrados ao modo de vida urbano, ao contrário do que pretende a Funai, com sua "antropologia imóvel" que "busca eternizar os povos indígenas como primitivos e personagens simbólicos da vida simples". A antropóloga da Folha, filiada à corrente da "antropologia móvel", seja lá o que isso signifique, concluiu:
- "Nossos tupis-guaranis, por exemplo, são estudados há tanto tempo quanto os astecas e os incas, mas a ilusão de que eles, em seus sonhos e seus desejos, estão parados, não resiste a meia hora de conversa com qualquer um dos seus descendentes atuais". Antropólogos da velha guarda que persistem em fazer trabalho de campo alegam que Kátia Abreu, além de nunca ter conversado sequer um minuto com um índio, arrombou portas que já estavam abertas. Qualquer aluno de antropologia sabe que as culturas indígenas não estão congeladas, pois vivem em diálogo com as culturas do entorno. Para a velha guarda, Kátia Abreu cometeu o erro dos geocêntricos, pensando que os outros estão imóveis e ela em movimento, quando quem está parada no tempo é ela, incapaz de perceber que não é o sol que dá voltas diárias em torno da terra.
No seu artigo, a antropóloga da Folha lamenta que os índios "continuem morrendo de diarreia". Segundo ela, isso acontece, não porque os rios estejam poluídos pelo agronegócio, mas "porque seus tutores não lhes ensinaram que a água de beber deve ser fervida". Esses tutores representados pela FUNAI - escreve ela - são responsáveis por manter os índios "numa situação de extrema pobreza, como brasileiros pobres". Numa afirmação cuja margem de erro é de 3% para mais ou para menos, ela conclui que os índios não precisam de tutela. Quem precisa de tutela intelectual é Kátia Abreu - retrucam os antropólogos invejosos da velha guarda, que desconhecem a abreugrafia. Eles contestam a pobreza dos índios, citando Marshall Sahlins através de postagem feita no facebook por Eduardo Viveiros de Castro:‎"Os povos mais 'primitivos' do mundo tem poucas posses, mas eles não são pobres. Pobreza não é uma questão de se ter uma pequena quantidade de bens, nem é simplesmente uma relação entre meios e fins. A pobreza é, acima de tudo, uma relação entre pessoas. Ela é um estatuto social. Enquanto tal, a pobreza é uma invenção da civilização. Ela emergiu com a civilização..."
Miss Desmatamento
A conclusão mais importante que a antropóloga da Folha retira das pesquisas realizadas com a abreugrafia é de que os "aborígenes", já modernizados, não precisam de terras que, aliás, segundo a pesquisa, é uma preocupação secundária dos índios, evidentemente com uma margem de erro de três pontos para mais ou para menos. "Reduzir o índio à terra é o mesmo que continuar a querer e imaginá-lo nu" - escreve a antropóloga da Folha, que não quer ver o índio nu em seu território. Nem nu, nem vestido, porque quando veste roupa, para ela, deixa de ser índio, liberando assim a terra indígena para o agronegócio. - "Falar em terra é tirar o foco da realidade e justificar a inoperância do poder público. O índio hoje reclama da falta de assistência médica, de remédio, de escola, de meios e instrumentos para tirar o sustento de suas terras. Mais chão não dá a ele a dignidade que lhe é subtraída pela falta de estrutura sanitária, de capacitação técnica e até mesmo de investimentos para o cultivo". A autora sustenta que não é de terra, mas de fossas sépticas e de privadas que o índio precisa. Demarcar terras indígenas, para ela, significa aumentar os conflitos na área, porque "ocorre aí uma expropriação criminosa de terras produtivas, e o fazendeiro, desesperado, tem que abandonar a propriedade com uma mão na frente e outra atrás". Com uma margem de erro de dois dedos para cima ou de dois dedos para baixo - acrescentou o Zé Cyrino.Ficamos, então, assim combinados: os índios não precisam de terra, quem precisa são os fazendeiros, os pecuaristas e o agronegócio. Dados apresentados pela jornalista Verenilde Pereira mostram que na área Guarani Kaiowá existem 20 milhões de cabeças de gado que dispõem de 3 a 5 hectares por cabeça, enquanto cada índio não chega a ocupar um hectare. Um discípulo menor de Kátia Abreu, Luiz Felipe Pondé, também articulista da Folha, tem feito enorme esforço para acompanhar a produção intelectual de sua mestra, usando as técnicas da abreugrafia, sem sucesso, como mostra artigo por ele publicado com o título Guarani Kaiowá de boutique (9/11), onde tenta debochar da solidariedade recente aos Kaiowá que explodiu nas redes sociais. Kátia Regina de Abreu, 50 anos, empresária, pecuarista e senadora pelo Tocantins (ex-DEM,atual PSD), não é apenas antropóloga da Folha. É também psicóloga formada pela PUC de Goiás, reunindo dois perfis que deslumbrariam Nelson Rodrigues. Bartolomé De las Casas, reconhecido defensor dos índios no século XVI, contesta o discurso do cronista do rei, Gonzalo Fernandez de Oviedo, questionando sua objetividade pelo lugar que ele ocupa no sistema econômico colonial: - “Se na capa do livro de Oviedo estivesse escrito que seu autor era conquistador, explorador e matador de índios e ainda inimigo cruel deles, pouco crédito e autoridade sua história teria entre os cristãos inteligentes e sensíveis”.O que é que nós podemos escrever na capa do livro "Os Argonautas do Gurupi" de Kátia Abreu, eleita pelo movimento ambientalista como Miss Desmatamento? Que crédito e autoridade tem ela para emitir juízos sobre os índios? O que diriam os cristão inteligentes e sensíveis contemporâneos? Respostas em cartas à redação, com a margem de erro de 3% para mais ou para menos.
Katia Abreu escreve no jornal a folha de são paulo em uma coluna denominada mercado, ai etá a chave da questão, talvez ela queira tratar os indigena brasileiros como mercadoria, assim como ela (des)entende que é a terra.