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07 fevereiro, 2012

Relato da Banda Mestre André

Por Banda Mestre André

Somos resultado de uma peregrinação da juventude pelas capitais do país em busca de universidades para prepara-nos para vida e para a música, a teoria era necessária para estudar e compreender nossas manifestações culturais. Isso ficou bem claro quando participamos dos festivais da canção portuense na década de oitenta, ali percebemos a importância de preservar e divulgar a cultura de nossa região, através de uma tradução verdadeira das manifestações populares de nosso povo.

Assim nos formamos em médicos, odontólogos, agrônomos e geógrafos. De forma que nesse retirantismo cultural a música nunca nos abandonou, ela tem sido um porto seguro para nossas “ubás” canoas errantes. Após inúmeras apresentações no pátio cultural da velha rua do cabaçaco, fomos à luta, com uma boa safra de cantigas no bornal, participamos de festivais, feira da cultura de Porto Nacional desde 2000, porém o nosso maior feito como grupo musical foi quando em novembro de 2004 abrimos o show de Alceu Valença no circuito cultural Banco do Brasil na cidade de Palmas-TO.

Em 2005/7 participamos do Festival da Canção e da semana da cultura de Porto Nacional. Em 2008, apresentamos na Feira Solidária na Praça da Catedral. Em 2010, participamos do Festival de Inverno de Taquaruçú, onde abrimos o show de Paulinho Mosca, e do Salão do Livro de Palmas no Espaço: Café Literário. Assim vamos caminhando, com nosso balaio feito de tala de buriti, colhendo versos e cantigas no colorido cerrado que ainda existe em nós.

O contato da Mestre André é: liraelizeu@uft.edu.br ou (63) 9233-1369 / (63) 3363-2341. O grupo aceita propostas para apresentação em eventos de caráter social organizados por instituições públicas, privadas ou terceiro setor. 


Show da Banda Mestre André


Por Banda Mestre André

Nosso show é a tentativa de traduzir, em cantigas, a diversidade das manifestações culturais do cerrado Tocantino: dos gerais as capinas; das veredas os buritizais; do gado curraleiro o vaqueiro e os currais; das aldeias as nações indígenas; dos rios e riachos os ribeirinhos; da escravidão os quilombos; das cidades as ruas e os monumentos; e de nós mesmo a ética a cultura; o humano e a solidariedade.

Nossa técnica é simplesmente acompanhar a batida do violão de Torres que sempre nos convidou a trilhar pelos caminhos férteis do baião de Gonzaga; do coco de Jackson; das rodas dos fuliões de Almas; da batida seca do tambor de sussa de Monte do Carmo; dos foles das sanfonas de Antista do acordeon do saudoso João Luiz (JL) e de Camarão do acordeon; dos sons das caixas de fulia. E nossa voz procura uma aproximação direta com a voz oitava, ora em alegrete, ora sacro-melancólico, do fulião de cabeceira, ópera permanente no giro divinal, pelos sertões do Tocantins.

Assim nós vamos retirando do “movimento cerratensis” os elementos que dão base de sustentação a nossa arte são eles: o modo de vida do homem do cerrado, o meio físico, o meio biótico e o meio religioso seja ele cristão ou não. São esses elementos aglutinadores e antagônicos que nos leva a entender uma tradição no passado, uma modernização incompleta no presente e uma perspectiva de modernidade fragmentada no futuro.

A diversidade de sons; a variedade de cores; a intensidade de luz e a infinitude de vidas que esse ambiente denominado cerrado nos oferece, é a força que nos irmanas a prosseguir no caminho da musica e também em acreditarmos que a humanidade, como diz Zé das Bicicletas, ainda vai ter jeito.

O contato da Mestre André é: liraelizeu@uft.edu.br ou (63) 9233-1369 / (63) 3363-2341. O grupo aceita propostas para apresentação em eventos de caráter social organizados por instituições públicas, privadas ou terceiro setor.

06 fevereiro, 2012

III Encontro Amigos do MST

No 10º Encontro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Tocantins também foi realizado o III Encontro de Amigos e Amigas do MST/TO, no dia 30 de janeiro. Momento de articulação e confraternização do MST com outras organizações sociais e pessoas que ao longo de 2011 estiveram juntas nas ações do movimento, onde membros do Nurba participaram.

Cerca de 400 camponesas e camponeses dos assentamentos e acampamentos do movimento participam do encontro que ocorreu na Escola Família Agrícola (EFA) de Porto Nacional (TO), entre os dias 26 a 31 de janeiro. O objetivo do evento foi construir um momento de reflexão, articulação, diálogo e festa.(Aline Sêne)

Banda Mestre André - Flor do Cerrado


Mestre André participa da Pausa Cultural

A banda portuense Mestre André fará apresentação na Pausa Cultural da UFT no dia 15 de fevereiro, em Palmas. Participarão também os poetas Tião Pinheiro e Célio Pedreira. A Mestre André é um grupo musical que prima pelo regionalismo, na música e nas artes em geral, e defende com consistência a cultura do cerrado. O grupo é composto por Elizeu Lira (violão e voz), Célio Pedreira (baixo e voz), Torres (violão) e Valtinho (bateria0.

O contato da Mestre André é: liraelizeu@uft.edu.br ou (63) 9233-1369 / (63) 3363-2341. O grupo aceita propostas para apresentação em eventos de caráter social organizados por instituições públicas, privadas ou terceiro setor.

“É uma necessidade nossa, cantar em versos e prosas
O cerrado: as várzeas eos buritis; as chapadas eos Ipês;
O sertanejo e sua morada; o Vaqueiro eos currais;
Os índios com suas aldeias; os ribeirinhos e suas vazantes.
E em especial ouvir com atenção a batida única
Do tambor de sussa e o canto divino dos foliões de
Cabeceira” (LIRA, 2004)


Economia verde fetiche do capital!

Por Alejandro Nadal
Eco Debate


Os termos do debate sobre a crise foram impostos pela direita e em sua tela do radar o problema ambiental sempre ocupou um lugar subsidiário. Por isso, não surpreende que agora que os centros de poder castigam com austeridade fiscal e promovem a destruição de qualquer vestígio do estado de bem-estar, o meio ambiente brilhe por sua ausência. E quando se pretende tratá-lo como tema prioritário, a realidade é que é apenas para manter o projeto neoliberal em escala global.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) promove nos últimos três anos uma série de projetos que se enquadram no que vem chamando de Iniciativa de Economia Verde (IEV). Este projeto define uma economia verde como o resultado de melhorias no bem-estar humano e equidade social, ao mesmo tempo que se reduzem os riscos ambientais e a escassez ecológica. O Pnuma sustenta que o manejo eficiente dos recursos ambientais oferece oportunidades econômicas importantes. Finalmente, afirma que uma economia verde deve ser baixa no uso de combustíveis fósseis e socialmente includente.

Esta retórica pode dar uma boa impressão. Mas a realidade é que a iniciativa do Pnuma sofre de grandes defeitos que, ao final das contas, anulam o que poderia aparecer como bons desejos. O que fica é um disfarce mal armado para dar uma cara amável ao neoliberalismo do ponto de vista ambiental.

O primeiro grande problema da IEV é a incapacidade de examinar as causas da destruição ambiental. Nenhuma das forças econômicas que provocam a deterioração ambiental é objeto de uma análise cuidadosa. Nem a concentração do poder econômico em centros corporativos, nem os processos de acumulação de terras em grandes regiões da África e América Latina, nem o efeito da especulação financeira sobre produtos básicos, nem o peso enorme da dívida dos países mais pobres do mundo são temas importantes para o Pnuma. Em contraste, abunda a retórica sobre instrumentos de política baseados no mecanismo de mercado e a necessidade de estimular os investimentos privados.

O Pnuma também ignora as causas da feroz desigualdade, que é o traço dominante na economia mundial. Parece que esta caiu do céu, como se se tratasse de um fenômeno meteorológico. Assim, a IEV fala da necessidade de aliviar e, inclusive, de eliminar a pobreza. Mas sempre que o faz em referência ao potencial que oferece o bom manejo dos recursos. Nunca se menciona a necessidade de corrigir a marcada tendência contra os salários reais. Sabe-se de sobra que em quase todo o mundo os salários reais experimentam um declínio importante a partir dos anos 1970. Entre as causas mais visíveis desse resultado está a repressão salarial imposta para controlar a demanda agregada e, desse modo, levar adiante a luta contra a inflação (o principal inimigo do capital financeiro). Apesar da importância desta variável da distribuição, a palavra salários não consta no dicionário da IEV.

A desigualdade também está fortemente ancorada em uma política fiscal regressiva. Contudo, quando se trata de recomendações em matéria de política fiscal, o documento do Pnuma sugere que o melhor marco fiscal para o crescimento deve descansar nos impostos indiretos e nas baixas taxas impositivas para o setor corporativo. Isto deve ir acompanhado de maior eficiência no gasto público, o que no jargão neoliberal se traduz em maiores ajustes e geração de um superávit primário para pagar cargos financeiros. Claro, as referências do Pnuma são a OCDE, o Banco Mundial e a consultora PriceWaterhouseCoopers. Isso sim, alerta-se sobre os riscos de impor cargas ao capital financeiro.

Embora a iniciativa do Pnuma se baseie na ideia de que a crise oferece a oportunidade para reencaminhar a economia mundial pelo caminho do desenvolvimento sustentável, nenhum documento do organismo contém uma análise séria sobre as origens e a natureza da crise. Os leitores podem corroborar o que foi dito anteriormente na página da IEV (www.unep.org/greeneconomy). Por extraordinário que pareça, uma análise séria sobre a crise e suas ramificações não é relevante para falar da transição para uma economia verde.

A iniciativa do Pnuma procura alongar a vida do modelo neoliberal. É também um bom exemplo da sentença de Keynes: não apenas fracassamos na tentativa de compreender a ordem econômica na qual vivemos, como também a interpretamos mal a ponto de adotar medidas que operam duramente contra nós.

(Ecodebate, 23/01/2012) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação. A reportagem é de Alejandro Nadal e está publicada no jornal mexicano La Jornada, 11-01-2012. A tradução é do Cepat.